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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

OS CAMINHOS AINDA NOS TÊM

(A Oly Lobato, que, por meio de Ana Paranhos,
pediu-me que lhe enviasse estes antigos versos,
tão atuais entretanto...)

Os caminhos nos têm
é distante a terra
que poderá receber nossos sonhos.
As estradas
retêm as sombras,
estamos sós.

Os caminhos têm cansados
os corpos.
A noite é povoada
de sono
cansaço e buscas.

Náufragos de antigas rotas
embriagados de esperas
seguimos.

Homens/estradas
confundem-se em nossas retinas
final de cada dia.

Partiremos
mal chegada a manhã
em busca de novo sol
                               solo
de nosso chão de pedras
                               raízes
                                     
Nosso lugar neste espaço
para o despir o tempo
nas rotas vestes.



 Foto: Maria Alice Bragança
Todos os direitos reservados.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

VOU LEVAR NOS LÁBIOS UM BEIJO TEU

Vou levar nos lábios um beijo teu...

O calor dos teus dedos entre os meus

Um sorriso acanhado, um gesto tímido talvez.

 
Vou levar nos lábios um beijo teu...

De nada importa o tempo

se é assim tão grande o sentimento.

 
Vou levar nos lábios um beijo teu...

Que surpresa traz a vida

quando parece ser já despedida.

 
Vou levar nos lábios um beijo teu...

Muitas palavras não ditas

Alguns versos talvez.

 
Vou levar nos lábios um beijo teu...
 
 
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MINGUANTE


Algumas noites acontece assim,
As sombras saem às ruas
A procurar uma metade qualquer.
Algumas noites acontece assim,
Surgem esses mistérios.
Não reflete o espelho
parte do rosto.



terça-feira, 25 de junho de 2013

EM CARTAZ NO MACRS: ADRIANO ROJAS e VIVIAN LOCKMANN

Foto: Maria Alice Bragança
Todos os direitos reservados.


Até o próximo domingo, dia 30 de junho, as exposições O gato que não pegava o rato, de Adriano Rojas, e O rumor da matéria, de Vivian Lockmann, estarão em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (Casa de Cultura Mario Quintana, Rua dos Andradas, 736, 6º andar)

A pintura de Adriano Rojas

Morto aos 36 anos, Adriano Rojas interrompeu seu percurso artístico justamente quando estava no ponto de partida para a renovação de um trabalho considerado já maduro. Sempre a óleo e em grandes formatos, suas pinturas dos anos 1980 e 1990 trazem uma marcante influência de artistas como Jean-Michel Basquiat, De Kooning e Baselitz.

O gato que não pegava o rato foi, segundo o curador da mostra apresentada pelo MACRS, na Galeria Xico Stockinger,  Flávio Gonçalves, o título da primeira exposição individual do artista em 1996. As concepções e pensamentos do artista sobre a pintura estão estampadas no ambiente da exposição, através de  frases como:

“A pintura parece ser, por excelência, a arte de construir, desconstruir, reconstruir, conferindo a ela uma unidade, pois são deixados evidentes as marcas e os caminhos traçados, sendo essa a característica de vital importância para mim, pois é mostrado o seu processo.” (Adriano Rojas) 

“Sobre o ato de pintar, é importante dizer que fundamentalmente se dá pelo prazer, não que isso signifique algum tipo de facilidade, ao contrário, me é bastante difícil.” (Adriano Rojas) 

“Quando pinto quero dar ao espectador uma maior sensação de fruição formal do quadro, uma fruição advinda de suas sensações visuais do que de qualquer outro aspecto.” (Adriano Rojas)

Vivian Lockmann: “O rumor da matéria”

É instigante visitar a exposição das obras de Vivian Lockmann, intitulada “O rumor da matéria”, em cartaz na Galeria Sotero Cosme, cuja curadoria é de Bettina Rupp, mestre em História, Teoria e Crítica de Arte. De acordo com a curadora, “as formas que brotam nas esculturas apresentam as angústias de quem vive o processo criativo. Vemos vísceras de algo que ainda não está pronto, lutando para conseguir espaço. O projeto inicial vai aos poucos desaparecendo, e o acaso começa a dominar forma e conteúdo”.


Foto: Maria Alice Bragança
Todos os direitos reservados.

As duas mostras podem ser vistas até o próximo domingo, 30 de junho, quinta e sexta das 10h às 19h; e sábado e domingo, das 12h às 19h.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ARTE E MODA: UMA BOA LEITURA

Arte e moda encontram-se e se influenciam todo o tempo. Lançado no final do ano passado, Roupa de artista: O vestuário na obra de arte é uma leitura interessante para quem gosta de moda e de arte.
A autora é a crítica, curadora e historiadora da arte Cacilda Teixeira da Costa, que, a partir de uma pesquisa que durou três anos, analisa como as roupas aparecem em pinturas e esculturas.
Ela aborda uma infinidade de obras de artistas do Renascimento aos dias atuais.
Segundo ela, jovens artistas continuam se apropriando do vestuário como metáfora ou forma de expressão e os estilistas propõem coleções inspiradas em obras de artistas. Os desfiles são cada vez mais performáticos.
A apresentação do livro é assinada pelo crítico de arte Walter Zanini. Ele destaca a contribuição da autora ao relacionar estudos sobre artistas e sobre vestuário.








Maja vestida (1800-1805). Francisco de Goya (1746-1828) usou tecidos leves para valorizar o corpo feminino e, assim, mostrou como a roupa poderia também aguçar o erotismo.
 
A autora lança mão de aspectos da história e da arte, da história social da moda, da estética e semiótica de suas análises ilustradas com muitos exemplos. Cita, por exemplo, Velázquez, um mestre na descrição pictórica dos trajes da corte, e, no século XIX, o realismo descritivo tenha chegado, talvez na obra de Ingres, ao seu mais alto grau.











Madame Moitessier (1856). O vestido de seda estampada recebe do pintor francês Jean Dominique Ingres (1780-1867) o mesmo cuidado dedicado ao rosto da retratada.
 
Um rompimento ocorre logo após, quando Degas deixa de lado a representação e utiliza o próprio vestuário como parte integrante da obra de arte.
 











Pequena Bailarina de Quatorze Anos, de 1880, de Edgar Degas, vestuário com o bronze, 99 centímetros excluindo uma base de madeira. Desde 1951, o MASP, em São Paulo, possui uma das cópias fundidas em bronze após a morte do artista. O original em cera dessa obra, apresentado na VI Exposição Impressionista, de 1881, foi a única escultura de Degas exposta em vida. Um modelo desse trabalho foi Maria Van Goethem, aluna da ópera.
 
Por volta de 1770 surgiram, como primeiras publicações sobre moda, como La Galerie des Modes, criada entre 1778 e 1787. No início, como revistas reproduziam as roupas usadas pelos mais elegantes da época. Em seguida, passaram a apresentar modelos e informações sobre tendências em voga.
Uma das obras citadas no livro é Negras livres vivendo de suas atividades, de Jean-Baptiste Debret, que traz uma visão do artista sobre as roupas utilizadas pelos escravos alforriados no Brasil de 1835.





















Para o casamento da princesa, o artista vestiu uma Corte Espanhola de prata e preto estendendo, como roupas o jogo de claro-escuro explorado em obras suas. Em junho de 1660, coube ao pintor, contratado da Corte de Felipe IV, uma organização do casamento da princesa Maria Teresa com o rei da França, Luís XIV. Na época, a Espanha vivia um período de declínio e não podia deixar transparecer essa situação para não correr o risco de ser cancelada uma conveniente aliança.
Velázquez sabia que os franceses compareceriam à cerimônia ostentando luxo, principalmente tons de vermelho, a cor utilizada pela realeza.
O artista vestir então os nobres espanhóis de preto e investiu em tons prateados para as rendas e joias. Deu certo, Luís XIV e seus pares não só se impressionaram com o efeito poderoso das roupas dos vizinhos como ficaram completamente ofuscados por sua ousadia. Velázquez morreu dois meses depois do casamento, e há quem diga que foi de exaustão.




















A infanta Margarita (1659), Diego Velázquez (1599-1660).

Emilie Flöge
, do austríaco Gustav Klimt (1862-1918), de 1902. O artista criou com a  estilista Emilie Flöge inúmeras túnicas com motivos geométricos e brilhantes que seriam depois usadas por suas modelos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2010: RECOMEÇOS E GARRAFAS AO MAR


Um novo ano e, enfim, repetem-se todas as intenções e algumas autopromessas feitas em outros anos... Então, em 2010, finalmente nada disso. Com pouco tempo mesmo para me dedicar ao blog, vou assumir que vou escrever quando puder.
Afinal, se o tempo precisa ser dividido entre tantas atividades interessantes, antes de escrever sobre a vida, vamos a ela... Vivê-la da forma mais intensa possível. Gastar mais tempo desfrutando exposições de arte, bons livros, bons filmes, bons amigos, pôr-do-sol, descobertas, do que em frente ao computador. Um blog como folha ao vento, ou garrafa ao mar...

Reservando tempo ao que vale o tempo, 2010 trouxe bons momentos assistindo a um DVD presenteado por amigos queridos. Da Paula e do Roberto, ganhei este DVD recém-lançado "A vida secreta de uma obra-prima", produzido pela BBC. São três DVDS. Cada um com 150min, uma programação e tanto para as férias, pois exige bastante tempo. O primeiro deles, "Pós-Impressionismo", assisti com voracidade, aquela de quem ganha um brinquedo novo mesmo...

As obras comentadas são "O Baile no Moinho de La Galette", de Auguste Renoir; "Os Girassóis", de Vincent Van Gogh; e "Um domingo a tarde na Ilha da Grande Jatte", de Georges Seurat. As opções rendem-se ao conhecido, ao quase "pop" e ao ainda cultivado fetiche da ideia da obra-prima. Porém, com qualidade visual, pesquisa interessante, informações históricas mescladas à documentação do mundo real, dos museus, dos marchands, dos leilões, das galerias, dos colecionadores, a abordagem ganha interesse, como uma reportagem de revista bem escrita.

O DVD vale todos os minutos, os 150 minutos... E vale reservar tempo para os outros dois, que agendei, sem dúvida. "A vida secreta de uma obra-prima" também pode ilustrar aulas de história da arte, por sua dinâmica e informações variadas...
Das três primeiras obras abordadas, sempre me chama a atenção a de Van Gogh. E lembrei de outro filme que vale a pena ver e rever

"Sede de viver", com Kirk Douglas, um clássico de 1956. Muito comentado na época, o filme popularizou a figura de Van Gogh. É uma das ótimas opções de filmes biográficos de artistas disponível em DVD. Outros desses filmes, como é o caso de "Basquiat - Traços de uma vida" e "Goya", foram reproduzidos no Brasil apenas em VHS.
Bem, pior ainda foi o que ocorreu com "Klimt", que chegou a ser exibido pela TVA e nem em VHS foi reproduzido...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

BELAS BIENAIS... 2008

Talvez exista um clima de mudança no ar, meio fruto da primavera que já está, de fato, no ar. É o que pode ajudar a compreender uma súbita necessidade de rever alguns momentos passados, principalmente exposições de arte interessantes, das quais  restaram quaisquer vestígios, e ouvir músicas, reler uns livros e ver novamente alguns filmes. Sei lá!!! Belas bienais é uma coleção de alguns desses momentos.

A instalação "Deus é boca"  está no topo do meu ranking de obras de arte contemporâneas inesquecíveis e imprescíndiveis. Gostaria que ela tivesse ficado em algum espaço próximo, para que eu pudesse voltar lá e pensar mais um pouco... É parte da condição humana esse desejo de permanência, de alguma forma de posse, mas há que conformar-se e confrontar-se com os vestígios.

terça-feira, 27 de maio de 2008

OS OLHOS DO POETA


Quem desvenda a alma humana,
precisa realmente de óculos?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

METAFORMS, TIM COE

Um segundo olhar e uma nova ida ao FILE, no Santander Cultural, surpreenderam-me com as possibilidades de reflexão provocadas por Metaforms, de Tim Coe, um artista inglês. Ao mesmo tempo em que produz uma reflexão sobre a individualidade, a particularidade, pode-se pensar em massificação, em dissolução do sujeito no todo...
Ou, por uma outra via, fiquei pensando sobre aquele enunciado de Pascal, sobre o todo e as partes, que é retomado por Edgar Morin...
Passeios de sábado.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

PRAÇA XV

PRAÇA XV
 
A Praça XV guarda tantas promessas,
guarda os sonhos da menina da rua,
guarda os temores de João.
A praça sabe de tudo.
E guarda.

(Maria Alice Bragança)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

GRAFITE


A poesia do momento
ficou aqui.
Tateando em meio ao branco.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

GRAFITE



O que faz arder o olho

e provoca a lágrima
é essa falta de sentir.
É essa falta de sentido.

domingo, 30 de setembro de 2007

DO REAL, DO IMAGINÁRIO, CILDO MEIRELES











Marulho, Cildo Meireles

Por quanto mares naveguei nas páginas de incontáveis livros, tantos lugares conheci, com suas histórias, memórias, personagens, sorrisos, ruídos, cheiros...